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2.445 professores pediram demissão do Estado de São Paulo em 2016

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2.445 professores pediram demissão do Estado de São Paulo em 2016

Fachada de escola em Diadema, no ABC paulista, ocupada no fim de 2015. Foto: Roberto Parizotti/Secom CUT (24/11/2015)

A rede estadual de ensino de São Paulo registrou a exoneração de 2.445 professores entre janeiro e setembro deste ano. Esse número representa a saída de 272 docentes da sala de aula por mês, em média.

É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da Secretaria Estadual da Educação obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação.

De acordo com as informações disponibilizadas pela pasta, a rede estadual registrou uma queda de 6% no número de exonerações na comparação com o mesmo período de 2015, quando houve 2.602 demissões (veja no quadro abaixo).

2.445 professores pediram demissão do Estado de São Paulo em 2016

Salário inicial é de R$ 1.565,19

No fim de 2014, ao realizar o mais recente concurso para professores da rede estadual (para o preenchimento de 5.734 vagas de docentes de educação básica – PEB 1), o salário inicial oferecido pela gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para jornada de 24 horas era de R$ 1.565,19.

Um ano antes, em outro concurso (o maior da história da categoria), para o preenchimento de 59 mil vagas de professores de educação básica (PEB 2) e educação especial no Estado de São Paulo, o salário inicial oferecido pela gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para quem escolhesse a jornada de 40 horas semanais era de R$ 2.257,84.

Docentes fizeram a maior greve da história da categoria em 2015

Parte dos professores da rede estadual participou de uma greve que durou 92 dias, entre março e junho de 2015. Segundo a Apeoesp (sindicato da categoria), a paralisação foi a mais longa da classe desde 1945, ano em que a entidade foi fundada.

Durante o período em que ficaram de braços cruzados, grupos de docentes realizaram ao menos 24 manifestações na cidade de São Paulo, segundo levantamento feito pelo portal G1, da TV Globo.

Os professores pediam um reajuste salarial de 75,33%.

O Estado não concedeu nenhum aumento por entender que a categoria obteve ganhos salariais significativos ao longo dos últimos anos.

Por que isso é importante?

O direito à educação é um dos direitos sociais previstos no art. 6º da Constituição Federal de 1988.

Segundo o art. 205, também da Constituição Federal, a educação “é um direito de todos e dever do Estado e da família” e “será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

A Constituição prevê, ainda, em seu art. 144, que a segurança pública corresponde a um “dever do Estado” e um “direito e responsabilidade de todos” e que ela é exercida “para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”.

Número de contratações é três vezes superior ao de demissões, diz secretaria

Procurada no fim de setembro para comentar os números de exonerações de janeiro a maio deste ano, a Secretaria Estadual da Educação disse por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa que o número de contratações de professores na rede é três vezes superior ao de exonerações.

Leia, abaixo, a íntegra da nota:

“A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo contratou mensalmente, 1.037 professores,  ou seja, o número é três vezes superior ao de exonerações mencionados pela reportagem. Além disso, no período de cinco anos, a Pasta registrou queda de 17% nas exonerações comparando o período analisado – 2.031 demissões em 2012, contra 1.671 de 2016.

Conforme já explicado para a reportagem,  exonerações não ocorrem apenas porque professores deixam de atuar na rede, mas também pode acontecer que o docente assuma um cargo novo, dentro da rede paulista de ensino. Desde 2012, foram nomeados 68,2 mil professores, mais de 1.200 docentes ao mês, em média. Também é preciso mencionar que há docentes que assumem mais de um cargo, exatamente para se manterem na rede, até agosto deste ano, 13,1 mil docentes acumulavam cargo na Secretaria.

Na rede estadual de ensino, os professores de educação básica II recebem um salário-base (ingressantes) 13,1% superior ao piso nacional. Na rede, o pagamento inicial é de R$ 2.415,89, inclusive para professores temporários, enquanto o determinado pelo Ministério é de R$ 2.135,64. A média paga aos professores é ainda superior: R$ 2.657,46 para os professores de educação básica I e R$ 4.546,60 para professores de educação básica II.

A valorização dos professores da rede estadual também é comprovada com o pagamento do bônus mantido aos servidores em 2015 e em 2016. Nos dois anos, o montante de R$ 1,45 bilhão foi pago a mais de 455 mil profissionais.  O pagamento se manteve mesmo no momento em que o país enfrenta uma grave crise econômica. Além disso, no mês de agosto, a Secretaria passou a pagar aumentos de até 35% para 21,3 mil professores e servidores promovidos na Prova de Valorização pelo Mérito.”

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