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SP tem 52.234 de crianças de até 1 ano e 8 anos fora da creche

SP tem 52.234 de crianças de até 1 ano e 8 anos fora da creche

A técnica de enfermagem Aline Midian Ferreira Anjos, 31 anos, não pode trabalhar porque não tem com quem deixar a filha, Alice, de dois anos. Foto: Léo Arcoverde/Fiquem Sabendo

Moradora do Parque São José, no distrito do Grajaú, extremo sul de São Paulo, a técnica de enfermagem Aline Midian Ferreira Anjos, 31 anos, está desempregada há mais de um ano e meio.

Diferentemente da maioria dos outros cerca de 11,5 milhões de brasileiros que estão à procura de emprego, que sofrem com a falta de oportunidade de trabalho, Aline não está exercendo a sua profissão por outro motivo: não ter com quem deixar a filha, Alice, de dois anos, durante o horário do expediente.

“Já deixei de aceitar várias propostas de trabalho por causa disso. Não tenho como pagar uma creche para ela”, explica Aline.

Quando engravidou, Aline trabalhava em uma clínica particular no Brooklin, bairro também localizado na zona sul de São Paulo.

De acordo com levantamento feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da Secretaria Municipal da Educação obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, só no Grajaú, 6.643 crianças estão na fila da creche. Em toda a cidade, há 110.899 meninos e meninas de até três anos e 11 meses nessa situação.

Raio-X da fila da creche

Quanto menor a faixa etária, maior é a quantidade de crianças fora da creche na capital paulista.

No grupo de crianças de até um ano e oito meses, há atualmente 53.234 crianças à espera da abertura de vagas em unidades de ensino da prefeitura.

Já no de crianças nascidas entre abril e dezembro de 2014, há 36.740 crianças fora da escola. (Veja, no infográfico abaixo, o detalhamento dessas informações.)

SP tem 52.234 de crianças de até 1 ano e 8 anos fora da creche

Fila da creche é um dos principais ‘nós’ da educação básica em SP

A existência de dezenas de milhares crianças de até três anos e 11 meses fora da escola é um dos nós da educação básica que sucessivos prefeitos da cidade de São Paulo, historicamente, se comprometem a desatar, mas não conseguem.

A exemplo de Gilberto Kassab (PSD), seu antecessor no cargo, Fernando Haddad (PT) prometeu, em campanha, zerar a fila da creche. Neste ano (a um ano e três meses do fim de seu mandato), a sua administração mudou o discurso e passou a prometer gerar o maior número possível de vagas na educação infantil.

Na avaliação de especialistas, a fila da creche representa dois problemas: ela compromete o desenvolvimento das crianças, que são privadas de frequentarem a escola nos seus primeiros anos de vida, e, ao mesmo tempo, impede que mães _sobretudo aquelas de baixa renda, moradoras dos bairros periféricos da capital paulista_ entrem ou retornem ao mercado de trabalho após o período de amamentação.

Por que isso é importante?

O direito à educação é um dos direitos sociais previstos no art. 6º da Constituição Federal de 1988.

Segundo o art. 205, também da Constituição Federal, a educação “é um direito de todos e dever do Estado e da família” e “será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

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