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Sabesp desperdiça mais que dobro do volume economizado com bônus

Sabesp desperdiça mais que dobro de água economizada com bônus

O governador de São Paulo, Geraldo Alkmin (PSDB), durante solenidade no Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, zona oeste de São Paulo, em maio deste ano. Foto: Du Amorim/A2 FOTOGRAFIA (07/05/2015)

A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) contabilizou uma perda de 550,2 bilhões de litros de água decorrente dos vazamentos existentes em sua rede de distribuição, entre março de 2014 (início da crise hídrica) e julho deste ano, na Grande São Paulo.

Esse volume representa quase o triplo (194% a mais) dos 193,1 bilhões de litros de água poupados, no mesmo período, em virtude da adesão dos consumidores ao bônus dado pela estatal a quem diminuiu o consumo desde o início da atual crise hídrica. Em outubro, 67% dos clientes da região metropolitana de São Paulo obtiveram o desconto.

É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da Sabesp obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação). (Veja o detalhamento dessas informações no infográfico abaixo.)

Sabesp desperdiça mais que dobro de água economizada com bônus

De acordo as informações disponibilizadas pela estatal controlada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), o volume mensal de água economizado graças à adesão da população ao bônus cresceu muito ao longo dos meses posteriores à implantação do programa de incentivo à diminuição do consumo: em março de 2014, 2,8 bilhões de água foram economizados; três meses depois (em junho), esse volume passou dos 10 bilhões de litros poupados.

No entanto, desde abril deste ano, quando a quantidade de água economizada atingiu pela primeira vez a marca de 16 bilhões de litros, esse índice praticamente não tem se alterado.

Volume é suficiente para abastecer 6,3 milhões de pessoas

A água desperdiçada pela Sabesp entre janeiro e julho deste ano decorrente dos vazamentos em sua rede de distribuição daria para abastecer cerca de 6,3 milhões de pessoas durante esse período.

Esse contingente supera a quantidade de clientes atualmente abastecida pelo sistema Cantareira, que é de aproximadamente 5 milhões _antes da crise, esse conjunto de reservatórios abastecia 8,8 milhões de consumidores.

Para chegar a esse número, a reportagem utilizou como parâmetro o consumo médio de água per capita no Brasil, que é de 166,3 litros ao dia, segundo o último cálculo feito pelo SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), em 2013.

Grande São Paulo possui 64 mil quilômetros de tubos enterrados

A região metropolitana de São Paulo possui cerca de 64 mil quilômetros de tubos da Sabesp enterrados. Isso equivale a uma volta e meia em torno da Terra.

Esse dado consta de artigo do presidente da Sabesp, Jerson Kelman, publicado em janeiro no jornal “Folha de S. Paulo”, no qual ele admitiu que a redução de pressão na rede de distribuição da estatal provoca a falta de água em imóveis localizados nas regiões mais altas da capital paulista. No texto, ao tratar desse assunto, ele argumentou: “Trata-se de uma medida preventiva para evitar um mal maior, que seria a exaustão da pouca água ainda armazenada nos grandes reservatórios”.

Número de vazamentos surpreendeu pesquisadora de Stanford

Convidada pelo governo de São Paulo a vir ao Brasil para ajudar a encontrar soluções para a atual crise, em dezembro de 2014, a pesquisadora da Universidade de Stanford, na Califórnia, Newsha Ajami, surpreendeu-se com a quantidade de água que não chega às torneiras dos paulistanos devido aos vazamentos existentes nas tubulações da Sabesp.

Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, Newsha afirmou: “O sistema do Estado tem cerca de 40% a 45% de vazamentos, então eu me concentraria em aumentar a eficiência ao invés de racionar”.

Ao falar sobre o que deveria ser feito para contornar a atual crise no curto prazo, ela respondeu: “A primeira medida deveria ser consertar os vazamentos”.

Por que isso é importante?

A Lei nº 9.433/97 (Política Nacional de Recursos Hídricos) prevê que a água “é um bem de domínio público” e que um dos objetivos dessa política é “assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos”.

Essa mesma lei federal determina ainda que “a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades”.

Em julho de 2010, a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) reconheceu o acesso a uma água de qualidade e a instalações sanitárias adequadas como um direito humano.

Desperdício caiu 32,5% e 91 bilhões de litros de água foram economizados, afirma Sabesp

A Sabesp disse por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa que “o volume desperdiçado caiu 32,5%, passando de 37 milhões m³, em março/14, para 25 milhões m³, em julho/15”. “Para diminuir os índices, a Sabesp realiza reparos de vazamentos, combate a fraudes, substituição de redes, ramais e hidrômetros, e intensificação da gestão de pressão da água nas redes. Com essa redução média de 17%, foi possível economizar 91 milhões de m³, na comparação mês a mês.”

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