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Tempo médio para Sabesp consertar vazamentos é de 13 horas

Tempo médio para Sabesp consertar vazamentos é de 13 horas

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB); tempo médio para consertos da Sabesp é de 13 horas.

Treze horas. Esse é o tempo que a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) leva, em média, para consertar vazamentos de água na cidade de São Paulo.

Essa informação consta de resposta enviada pela estatal a uma solicitação feita pelo Fiquem Sabendo por meio da Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação).

De acordo com a empresa controlada pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB), esse período foi “o tempo médio de reparo de vazamento de água visível no município de São Paulo no mês de outubro de 2015”.

Reportagem do Fiquem Sabendo publicada em novembro mostrou que os vazamentos na rede de distribuição da Sabesp foram responsáveis pelo desperdício de cerca de 550 bilhões de litros de água entre março de 2014 e julho de 2015. Isso representa uma média de 737 mil litros desperdiçados a cada minuto.

Esse volume representa quase o triplo (194% a mais) dos 193,1 bilhões de litros de água poupados, no mesmo período, em virtude da adesão dos consumidores ao bônus dado pela estatal a quem diminuiu o consumo desde o início da atual crise hídrica. (Veja no infográfico abaixo.)

Tempo médio para Sabesp consertar vazamentos é de 13 horas

Espera está acima de outros estados do Sudeste

O Rio de Janeiro é a capital da região Sudeste onde o poder público leva mais tempo para consertar um vazamento de água. Segundo reportagem do jornal O Globo, lá, o tempo médio para a conclusão dos consertos é de 48 horas, de acordo com a Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgotos).

Nas outras duas capitais do Sudeste, Vitória (ES) e Belo Horizonte (MG), o tempo médio para a realização de reparos na rede é de 7,74 horas e de 9 horas, segundo reportagens recentes publicadas pela imprensa desses estados.

Volume é suficiente para abastecer 6,3 milhões de pessoas

A água desperdiçada pela Sabesp entre janeiro e julho deste ano decorrente dos vazamentos em sua rede de distribuição daria para abastecer cerca de 6,3 milhões de pessoas durante esse período.

Esse contingente supera a quantidade de clientes atualmente abastecida pelo sistema Cantareira, que é de aproximadamente 5 milhões _antes da crise, esse conjunto de reservatórios abastecia 8,8 milhões de consumidores.

Para chegar a esse número, a reportagem utilizou como parâmetro o consumo médio de água per capita no Brasil, que é de 166,3 litros ao dia, segundo o último cálculo feito pelo SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento), em 2013.

Grande São Paulo possui 64 mil quilômetros de tubos enterrados

A região metropolitana de São Paulo possui cerca de 64 mil quilômetros de tubos da Sabesp enterrados. Isso equivale a uma volta e meia em torno da Terra.

Esse dado consta de artigo do presidente da Sabesp, Jerson Kelman, publicado em janeiro no jornal “Folha de S. Paulo”, no qual ele admitiu que a redução de pressão na rede de distribuição da estatal provoca a falta de água em imóveis localizados nas regiões mais altas da capital paulista. No texto, ao tratar desse assunto, ele argumentou: “Trata-se de uma medida preventiva para evitar um mal maior, que seria a exaustão da pouca água ainda armazenada nos grandes reservatórios”.

Número de vazamentos surpreendeu pesquisadora de Stanford

Convidada pelo governo de São Paulo a vir ao Brasil para ajudar a encontrar soluções para a atual crise, em dezembro de 2014, a pesquisadora da Universidade de Stanford, na Califórnia, Newsha Ajami, surpreendeu-se com a quantidade de água que não chega às torneiras dos paulistanos devido aos vazamentos existentes nas tubulações da Sabesp.

Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, Newsha afirmou: “O sistema do Estado tem cerca de 40% a 45% de vazamentos, então eu me concentraria em aumentar a eficiência ao invés de racionar”.

Ao falar sobre o que deveria ser feito para contornar a atual crise no curto prazo, ela respondeu: “A primeira medida deveria ser consertar os vazamentos”.

Por que isso é importante?

A Lei nº 9.433/97 (Política Nacional de Recursos Hídricos) prevê que a água “é um bem de domínio público” e que um dos objetivos dessa política é “assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos”.

Essa mesma lei federal determina ainda que “a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades”.

Em julho de 2010, a Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) reconheceu o acesso a uma água de qualidade e a instalações sanitárias adequadas como um direito humano.

Prazo estabelecido pela Arsesp é cumprido e comparação é descabida, afirma Sabesp

A Sabesp disse por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa que a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) estabelece o prazo de 24 horas para a execução de reparos em redes de água e de esgoto em São Paulo e que isso é cumprido pela empresa. Afirmou ainda que a comparação com outros estados é “descabida”.

Leia a íntegra da nota enviada pela companhia à reportagem:

“A Sabesp informa que o prazo para a execução de reparos em redes de água e de esgoto é estabelecido pela Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo). A previsão é que o conserto seja feito em até 24 horas após a empresa ser notificada do evento. A compre em 13 horas, ou seja, 11 horas a menos do que está determinado, para 50% das ocorrências. Para atender 90% dos casos, o prazo é de 48 horas. A comparação com outros estados é descabida, já que a Sabesp, apenas na região metropolitana de São Paulo, tem 35,8 mil quiloômetros de rede de distribuição de água e atende uma população de 20 milhões de habitantes. Portanto, sua área de atuação é muito maior do que a das companhias dos outros Estados que foram citadas pela reportagem.”

A Sabesp ainda disponibilizou as seguintes informações:

“A Cedae atende, na região metropolitana do Rio de Janeiro, 9 milhões de habitantes, enquanto a Sabesp atende, na RMSP, mais que o dobro dessa população. 

A Cesar atende a 52 municípios em todo o estado do Espírito Santo. A Sabesp atende, apenas na região metropolitana de São Paulo, mais da metade das cidades atendidas pela empresa capixaba: 30 municípios estão na Grande São Paulo e oito na região de Bragança Paulista.

Já a Copasa tem, nas cidades onde atua em Minas Gerais, um total de 48,9 mil quilômetros de rede de água; a Sabesp, apenas na Grande São Paulo, possui 35,8 mil quilômetros de rede.”

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