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Veja quais são as 10 piores linhas de ônibus de SP

O motorista não para, o ônibus não passa e o passageiro é desrespeitado: conheça as piores linhas de ônibus paulistanas

 

Lucas, tem 21 anos e um sonho: “defender o solo brasileiro”. O soldado chega a ficar 36 horas seguidas no Comando da 2ª Região Militar, próximo ao parque Ibirapuera. No período de guarda, trabalha quatro horas no posto e dorme outras duas até completar o perído de 24 horas; no dia seguinte tem que cumprir o expediente normal até o final da tarde.

Para voltar para casa depois dessa longa jornada, Lucas enfrenta ainda o trajeto de quase duas horas na linha 5636/10, que liga o Metro Brás ao Terminal Grajaú, na Zona Sul da cidade

Em 2017, a linha 5636/10 alcançou o posto de pior linha de ônibus de São Paulo, com 200 reclamações registradas pela SPTrans. No ano anterior, já figurava entre as piores com 155 reclamações.

Ranking das piores linhas de ônibus

Formado pelas campeãs em reclamações registradas no portal da prefeitura, o ranking das piores linhas de ônibus de São Paulo em 2017 revela um problema crônico. Das 10 listadas esse ano, 6 já haviam sido apontadas pelo mal desempenho em 2016. Mas nada parece ter mudado.

Sozinhas, essas 10 linhas (5630/10, 5110/10, 6913/10, 4311/10, 5318/10, 2290/10, 477P/10, 607C/10, 917H/10, 475R/10) foram responsáveis por 1449 reclamações, ou seja, uma reclamação a cada 12 horas. É o que aponta o levantament feito com exclusividade pelo Fiquem Sabendo.

As três principais reclamações foram “não atender embarque e desembarque”, “intervalo escessivo da linha” e “tratar o público em geral com falta de respeito”. Cabe ressaltar ainda algumas denúncias desconcertantes, como os três casos de “operador fumando dentro do veículo” e os 15 registros de “agresssão física e ameaça a passageiro”.

 

Confira quais são as 10 linhas de ônibus que os paulistanos mais reclamam

Confira quais são as 10 linhas de ônibus que os paulistanos mais reclamam

 

A experiência do passageiro

Naquele dia Lucas comemorava o fato de ter viajado sentado. “Normalmente vou em pé por duas horas, cansa! Seria bom voltar pra casa sentado para descansar um pouco.”

Além das adversidades provocadas por dias de chuvas, problemas mecânicos nos ônibus também tornam a volta para casa ainda mais desgastante. O jovem soldado relata já ter passado três vezes por situações como essa. “Tem que descer e esperar outro ônibus. Só que nessa de descer todo mundo lota mais ainda, porque o ônibus que vem atrás já está lotado também”.

O carteiro Marcos usa a linha duas vezes por dia e também reclama da superlotação: “Sempre está muito cheio, muito mesmo. Às vezes não dá nem pra entrar, tem que esperar mais um tempão pelo outro ônibus”.

E ele, será que consegue sentar? “Só com muita sorte ou quando tá chegando no final. Hoje nem no final, né?”, diz olhando ao redor. No ano passado, as 10 piores linhas da cidade receberam 103 reclamações referentes à superlotação dos veículos.

A segunda reclamação mais comum registrada pela SPTrans foi o intervalo excessivo da linha, ou seja, a demora que o passageiro leva no ponto. Só fica atrás do incômodo causado pelo motorista que não para nos pontos definidos. “A gente ficar ali esperando por meia hora é demais!”, exclama Rosana, atendente de telemarketing. “Tem que colocar mais carro na linha pra gente. Por que essa demora?”, completa indignado o motorista Josué.

A única opção que Rosana diz ter para voltar para casa é o trem. “Agora R$4,00 reais de ônibus mais R$ 2,00 de trem, ida e volta todos os dias não dá, né? Haja dinheiro!”

SPTrans responde

Procurada pelo Fiquem Sabendo, a SPTrans afirmou que “todas as reclamações recebidas a respeito do sistema municipal de transporte público coletivo são levadas para discussão em reuniões mensais com às empresas operadoras”. Pontuou que em 2017 “a fiscalização dos ônibus foi ampliada” e o monitoramento passou a ser feito por GPS. “Como resultado de ações como essas, o índice de reclamações apresentou uma queda de 26,6% em 2017, caindo de 48.271 mensagens em 2016 para 35.428 no ano passado”. 

A SPTrans afirmou ainda que “as sete empresas responsáveis pelas dez linhas com maior quantidade de reclamações receberam 264 multas referentes apenas ao descumprimento das viagens programadas”. Especificamente sobre a linha 5630/10 relatou que “sua operação foi monitorada em cinco ações fiscalizatórias entre os dias 2 e 10 de abril, nas quais foram verificadas irregularidades nos horários das viagens. A empresa foi notificada a respeito da necessidade do cumprimento da programação da SPTrans e está sujeita a multas”.

A SPTrans afirma ter aplicado 63 multas referentes ao desrespeito do sinal de embarque ou desembarque. Diz ainda ter criado o Programa Viagem Segura, “com foco prioritário em direção defensiva e atendimento de qualidade aos passageiros”.

* Com reportagem de Maria Vitória Ramos

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