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10 hospitais municipais mais criticados por pacientes entre janeiro e maio

10 hospitais municipais mais criticados por pacientes neste ano

A entrada do pronto-socorro do hospital Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo; hospital foi o que recebeu maior quantidade de reclamações de pacientes entre janeiro e junho deste ano. Foto: Léo Arcoverde/Fiquem Sabendo

O Hospital Municipal Carmen Prudente, em Cidade Tirandentes, no extremo leste da capital paulista, recebeu 255 reclamações de pacientes entre janeiro e maio deste ano (12 por semana, em média). Isso fez dele o campeão de relatos relacionados à má prestação do serviço público de saúde na comparação com outros 16 hospitais e 16 prontos-socorros administrados pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) na cidade de São Paulo.

É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da AHM (Autarquia Hospitalar Municipal), vinculada à Secretaria Municipal da Saúde, obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação).

Esses dados se referem ao número absoluto de reclamações de que foi alvo cada hospital da prefeitura. Não foi detalhada a quantidade de pacientes atendida por cada uma dessas unidades ao longo dos cinco primeiros meses de 2015.

O segundo lugar do ranking de reclamações ficou com o Hospital Municipal Moysés Deustchi, localizado no M’Boi Mirim, zona sul de São Paulo, com 171 relatos (oito por semana, em média).

Em seguida, na terceira colocação, aparece o Pronto-socorro Municipal 21 de Junho, na Freguesia do Ó, zona norte, com 156 relatos de má prestação de serviço (sete por semana, em média). (Veja o detalhamento desse ranking no infográfico abaixo.)

10 hospitais que receberam mais reclamações de pacientes na capital paulista

Mau atendimento é a principal queixa dos usuários

A Autarquia Hospitalar Municipal registra 14 categorias de reclamações de pacientes. Entre elas, estão falta de profissionais suficientes para atender os usuários e falhas na infraestrutura da unidade, por exemplo.

No caso do hospital Cidade Tiradentes, 146 reclamações se referiam ao atendimento em si. Segundo a AHM, essa categoria consiste na “manifestação que expressa o trato na relação entre o usuário e o prestador do serviço”.

A segunda falha mais mencionada dos pacientes que criticaram o serviço prestado por esse hospital foi a demora no atendimento. Foram 54 queixas entre janeiro e maio (uma a cada três dias, em média).

Pacientes reclamam de tempo de espera em hospital

10 hospitais municipais mais criticados neste ano em São Paulo

A doméstica Marinês Cunha dos Santos, 50 anos, que levou o filho de sete anos para ser atendido no pronto-socorro do hospital Cidade Tiradentes, na zona leste. Foto: Léo Arcoverde/Fiquem Sabendo

A doméstica Marinês Cunha dos Santos, 50 anos, levou o filho de sete anos, que sentia febre e dor de garganta, ao pronto-socorro do hospital Cidade Tiradentes na manhã desta terça-feira (28). Ela relatou que chegou na unidade por volta das 10h e que o atendimento só ocorreu cerca de duas horas depois.

Apesar da demora, ela elogiou o atendimento e disse que a existência do hospital é uma alternativa diante da falta de médicos de outras unidades de saúde da região. “Pelo menos aqui tem médico. Em outros hospitais e postos de saúde daqui da região, nem isso agente encontra.”

Já coordenador de teleatendimento Claudio Alves, 38 anos, chegou ao hospital com a namorada, que tem cálculo renal, pouco após as 5h desta terça. Ele disse que, apesar de o primeiro atendimento a ela ter se dado rapidamente, o tempo de espera para ela ser reavaliada pelo médico, após receber medicação, foi de mais de quatro horas. “Demora muito para haver o retorno”, diz.

Por que isso é importante?

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu art. 6º, o direito à saúde como um dos direitos sociais.

Já o art. 196, também da Constituição Federal, diz que a saúde “é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

A Lei 8.080/90 (Lei do SUS) prevê, em seu art. 2º, que “a saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício”.

Reclamações são importantes para melhoraria do serviço, afirma secretaria

A Secretaria Municipal da Saúde disse em nota enviada por sua assessoria de imprensa que “as manifestações enviadas aos hospitais pelos usuários são importantes para melhorar os serviços prestados”.

“É preciso contextualizar os números de atendimentos com as queixas informadas. O hospital Cidade Tiradentes, por exemplo, realizou 91.812 atendimentos entre janeiro e junho deste ano, sendo que as reclamações representam 0,27% desse universo. No hospital M’Boi Mirim, por sua vez, essa relação fica em 0,17%.”

De acordo com a secretaria, na zona sul, está em construção o Hospital Municipal de Parelheiros, que atenderá a região e deve apoiar o atendimento no hospital do M’Boi Mirim, bem como outras unidades da região. Outros hospitais previstos até 2016 no município são o Brasilândia, Vila Matilde e o Hospital Vila Santa Catarina, antigo Santa Marina.”

Ainda segundo a pasta, “todas as manifestações registradas na Ouvidoria são avaliadas pela equipe de direção das unidades, bem como da Autarquia Hospitalar Municipal, para que possam ser respondidas e feitas as correções, quando necessárias, para o melhor funcionamento do hospital.”

O munícipe pode registrar sua reclamação ou elogio por meio do telefone 156 ou pelo site da Secretaria Municipal da Saúde, no seguinte link: http://bit.ly/1e6ZK5Q.

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