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Consulados denunciam faculdades de Medicina na América Latina

 Jovens saem do País em busca de universidades mais baratas, mas encontram falta de equipamentos básicos para formação e até maus-tratos; parte deles atuam mais tarde no programa Mais Médicos.

No segundo semestre do ano passado, o Ministério da Educação (MEC) procurou os consulados do Brasil na Bolívia, Argentina e Paraguai para saber como estavam os cursos de Medicina frequentados por estudantes brasileiros e quais eram as principais dificuldades enfrentadas por eles. Em busca de cursos mais baratos e menos concorridos (às vezes até sem vestibular), milhares de jovens deixam o País todos os anos para obter o diploma.

Em uma série de telegramas diplomáticos, os consulados relatam problemas graves, como falta de professores, falta de domínio do espanhol pelos alunos – com alta evasão por este motivo – e até falta de moradia, que faz com que alunos precisem atravessar com frequência regiões dominadas por narcotraficantes.

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O Consulado de Cobija, na Bolívia, por exemplo, afirmou o seguinte: “infraestrutura organizacional, administrativa e acadêmica deficientes e o consequente nível de aprendizado e práticas estagiárias insuficientes; orientação psicológica de difícil alcance; aproveitamento insatisfatório do curso por domínio parcial ou deficiente do espanhol, situação econômica precária, que leva muitos a buscar trabalho paralelo informal, com prejuízo para os estudos; pouca convivência com a sociedade local; inexistência de assistência médico-hospitalar gratuita; desvirtuamento do projeto estudantil inicial e desistência do curso.”

Em Puerto Quijarro, houve relatos de problemas com a regularização migratória e documentos escolares. Em Santa Cruz de la Sierra, foram registradas “condições precárias de infraestrutura nas universidades, tais como reduzida disponibilidade de equipamentos e laboratórios, entre outros problemas.

Na Argentina, o consulado em Buenos Aires relatou “inexistência de espaço que possa comportar o contingente e escassez de docentes.” No País também há alta taxa de evasão, por falta de conhecimento do idioma, segundo o relatório de Rosário.

Caso grave foi registrado no Paraguai, no consulado de Pedro Juan Caballero. Segundo o documento, a falta de alojamentos na cidade de Pedro Juan Caballero faz com que muitos estudantes precisem voltar diariamente para suas cidades no Brasil, pela fronteira. “Com marcada violência, crimes horrendos aqui são cometidos quase a diário, muitos dos quais com requintes de crueldade, vinculados ao narcotráfico”, diz a denúncia.

Um aluno de uma universidade na região denunciou que havia um péssimo tratamento dado aos brasileiros. Ele enviou uma carta ao consulado afirmando que os alunos sofrem com “provas que somem, notas alteradas, bullying, ignorado pelos diretores”. O documento cita ainda “falta de comprometimento dos professores”. “Muitos deles chegam atrasados,  não cumprem com a carga horária estabelecida e simplesmente não dão aulas, limitando-se a apresentar sessão de slides.”

Esses e muitos outros documentos podem ser acessados na base de respostas da Controladoria-Geral da União (CGU), que reúne todas as respostas já enviadas a pedidos feitos por meio da LAI ao governo federal.

Esse texto foi feito para a segunda edição da “Don’t LAI to me”, uma newsletter para quem quer informação direto da fonte! Lá, explicamos ainda como conseguimos os telegramas e damos uma dica de ouro para fazer pedidos mais assertivos. Assine e entre para essa rede!