Home > Saúde > Crise gera 1,1 milhão de novos usuários exclusivos do SUS só em SP

Crise gera 1,1 milhão de novos usuários exclusivos do SUS só em SP

Desemprego gera 1,1 milhão de usuários exclusivos do SUS só em SP

Fachada do hospital de Vila Nova Cachoeirinha, complexo de saúde na zona norte de São Paulo com unidades de atendimento administradas pelo Estado e pela prefeitura. Foto: Léo Arcoverde/Fiquem Sabendo

Quando foi demitida, em janeiro deste ano, a analista de telecomunicações Christine Souza Reis, de 28 anos, recebeu do seu plano de saúde empresarial a proposta de continuar com a cobertura da prestadora caso pagasse R$ 490 por mês. “Ganhava R$ 1.200 por mês. Não tinha como continuar com o plano de saúde”, explica Christine.

Moradora de Brasilândia, na zona norte de São Paulo, usufruiu vários serviços cobertos pelo plano. No ano passado, deu à luz, por meio de uma cesárea, e foi submetida a uma cirurgia na vesícula. Até ser mandada embora, realizava um tratamento de um nódulo no fígado. “Agora, faço acompanhamento na AMA Paulistano”, diz, referindo-se à unidade de saúde da prefeitura perto de sua casa.

Christine faz parte de um grupo, que cresce à medida que o desemprego avança em São Paulo: o da população que depende exclusivamente dos serviços públicos de saúde.

De 2014, começo da atual recessão para cá, a estimativa do número de pacientes que só podem contar com SUS no Estado de São Paulo cresceu de 23.901.414 para 25.050.889. É o que aponta levantamento feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da Secretaria Estadual da Saúde por meio da Lei de Acesso à Informação.

Ao enviar os dados à reportagem, a pasta foi direta, ao informar: “(…) a crise econômica está levando mais gente para a rede pública de saúde em São Paulo, provocando o aumento da produção SUS no Estado. A migração tem resultado no crescimento da demanda e do atendimento na rede estadual de Saúde”.

De acordo com a pasta, a estimativa atual da população dependente do SUS no Estado é a maior desde 2008 (veja no infográfico abaixo).

Crise gera 1,1 milhão de usuários exclusivos do SUS só em SP

2013 registrou menor população dependente dos últimos 14 anos

A recente explosão de dependentes do SUS no Estado de São Paulo sucedeu um período no qual o número de paulistas que não prescindiam dos serviços públicos de saúde tradicionais contabilizou o seu menor número no período 2003-2016 (14 anos seguidos).

Antes de 2008, a estimativa de dependentes feita pela Secretaria de Estado da Saúde apontou sempre para um número próximo a 25 milhões de usuários exclusivos dos serviços públicos de saúde nos municípios paulistas.

Em 2013, um ano antes de o país entrar na recessão profunda em que se encontra hoje, 23,76 milhões de paulistas dependiam exclusivamente do SUS caso precisassem de algum atendimento na área da saúde.

Saúde é a principal preocupação do brasileiro

Uma pesquisa realizada em 2014 pelo Ipsos, um dos maiores institutos de pesquisa do mundo, apontou que 64% dos brasileiros veem a saúde como a sua principal preocupação.

Na mesma pesquisa, o Ipsos apontou a saúde como a principal preocupação de entrevistados de países como EUA (37%), Canadá (40%) e Grã-Bretanha (27%).

Por que isso é importante?

A saúde é um dos direitos sociais previstos pelo art. 6º da Constituição Federal de 1988.

Ela está equiparada a direitos como educação, moradia, transporte e trabalho.

A obrigação do Poder Público prestar um serviço de saúde de qualidade à população está disposta em vários artigos da Constituição.

Um exemplo é o art. 196. Ele dispõe: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Já a Lei Federal nº 8.080/1990 (Lei do SUS) dispõe, no seu art. 2º, que “a saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício”.

Você também poderá gostar
Marinha coloca informações sob sigilo
Marinha é responsável por 96% das informações classificadas como sigilosas
Don’t LAI to me: a primeira newsletter sobre Lei de Acesso à Informação do Brasil
CARTA ABERTA: Estados e municípios devem aceitar pedidos de informação anônimos
CPP superlotado: 10 mil vagas faltando em São Paulo