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Pronto-socorro da Freguesia do Ó tem 1 reclamação por dia

O Pronto-socorro Municipal 21 de Junho, na Freguesia do Ó, zona norte da capital paulista, foi alvo de 381 reclamações de pacientes em 2014 (uma queixa a cada 23 horas). Esse hospital foi o campeão de relatos por mau atendimento no ano passado na comparação com as demais 15 unidades da prefeitura especializadas em casos de emergência existentes na cidade.

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A fachada do pronto-socorro 21 de Junho, na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo; unidade foi a campeã de reclamações de pacientes em 2014. Crédito: Léo Arcoverde/Fiquem Sabendo

É o que aponta levantamento do Fiquem Sabendo com base em dados da AMH (Autarquia Municipal Hospitalar), da Secretaria Municipal da Saúde, obtidos por meio da Lei nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação). Esses números se referem apenas aos prontos-socorros e não computam as reclamações feitas contra outros tipos de unidades, como os hospitais de internação da prefeitura.

Foi analisado um universo de 2.218 reclamações, divididas em 13 categorias, que incluem relatos de falhas como falta de atendimento, problemas com transferências de pacientes e insatisfação geral com o serviço de cada pronto-socorro.

De acordo com as informações fornecidas pela Autarquia Municipal Hospitalar, o pronto-socorro da Freguesia do Ó _conhecido pelos moradores da região como P.S. João Paulo, por estar localizado na av. João Paulo I_ registrou um número de reclamações 79% superior às 213 queixas feitas em relação ao atendimento do Pronto-socorro Municipal Dr. Lauro Ribas Braga, em Santana, zona norte (veja no infográfico abaixo).

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O pronto-socorro 21 de Junho é administrado pela OS (Organização Social) da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, instituição que enfrenta uma grave crise financeira desde o ano passado.

Tempo de espera é o motivo da maioria das queixas

A demora no atendimento foi o motivo de 195 (61%) das 381 reclamações feitas em relação ao serviço disponibilizado pelo P.S. João Paulo. Nesse quesito, a unidade se sobressaiu ainda mais em relação aos demais prontos-socorros da prefeitura: registrou quase o triplo do número de queixas feitas contra o segundo colocado nesse ranking, o Pronto-socorro Municipal Vila Maria Baixa, também na zona norte. Ele foi alvo de 69 relatos.

Já os problemas durante o atendimento dos pacientes motivaram 131 reclamações contra o pronto-socorro 21 de Junho _duas a mais que a quantidade de relatos de que foi alvo o Pronto-socorro Municipal Maria Antonieta Ferreira Barros, no Grajaú, zona sul.

Balconista fica 1 hora à espera de atendimento

Na tarde de quarta-feira, 24 de abril, a balconista Carla Patrícia Pinheiro, 34 anos, levou cerca de uma hora para ser atendida no pronto-socorro 21 de Junho.

Por morar no Jardim Ondina, na região da Brasilândia, distrito da zona norte com centenas de casos de dengue confirmados neste ano, Carla buscou o atendimento por suspeitar que estivesse com a doença. “Graças a Deus, deu negativo (o exame)”. Afora a demora, na avaliação dela, o atendimento do hospital foi bom (assista ao relato dado por ela no vídeo abaixo).

Já o motorista José Cláudio Bezerra de Queiroz, 52 anos, morador do Parque Panamericano, na região do Jaraguá, zona norte, reclamou da forma como foi atendido ao chegar ao pronto-socorro, sentindo fortes dores nas pernas.

Por que isso é importante?

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu art. 6º, o direito à saúde como um dos direitos sociais.

Já o art. 196, também da Constituição Federal, preceitua que a saúde “é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Prefeitura diz que promove transparência

Procurada, a Secretaria Executiva de Comunicação da Prefeitura de São Paulo disse em nota que parabeniza o Fiquem Sabendo pelo projeto e que “a iniciativa se soma aos esforços coordenados pela CGM (Controladoria Geral do Município) para promover a transparência e fomentar a participação da sociedade civil na prevenção de irregularidades”.

A secretaria afirmou que “colabora com a transparência por meio da coordenação das assessorias de imprensa das diversas pastas da Prefeitura para garantir respostas ágeis e relevantes para as demandas dos veículos de comunicação”.

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