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Dois PMs são presos por roubo por mês em SP

Explosivos

Explosivos apreendidos pela Polícia Civil, em São Paulo, em março deste ano. Foto: Rodrigo Paneghine/ Polícia Civil de SP (18/03/2015)

Duzentos e sessenta e cinco policiais militares paulistas foram presos sob a suspeita de envolvimento com roubo ou furto com explosão de caixa eletrônico no período 2005-2014. Esse número representa uma média de duas prisões a cada mês motivadas por algum desses dois crimes.

É o que aponta levantamento feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados da Diretoria de Pessoal, da Polícia Militar, obtidos por meio da Lei nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação).

De acordo com esses dados, no decorrer de dez anos, a participação de PMS em cada um desses delitos tem apresentado tendências distintas.

Em 2005, o envolvimento de policiais com roubos era mais frequente do que hoje e caiu de lá para cá. Já a associação de PMs com quadrilhas que usam explosivos para furtar o dinheiro de caixas eletrônicos, que registrou apenas um caso há dez anos, tem aumentado desde então.

Crimes têm se equiparado

Há dez anos, ao longo de 12 meses, 29 PMs acusados de assalto deram entrada no presídio militar Romão Gomes, na Água Fria, zona norte de São Paulo. Em 2011, o número de prisões por roubo se manteve em 29.

Nesse mesmo comparativo, as prisões de PMs suspeitos de participar de explosões de caixas eletrônicos saltou de um para dez casos.

Em 2013, houve a inversão _inédita nesse período_ dessa estatística: sete PMs foram parar na cadeia devido ao envolvimento com explosões de caixas eletrônicos, enquanto outros quatro foram presos sob a suspeita de assalto.

No ano passado, ocorreu uma retomada da tendência verificada nos anos anteriores a 2013. Houve 18 prisões por roubo e dez por furto com explosão de caixa eletrônico. (Veja detalhamento da quantidade de detenções por ano no infográfico abaixo).

Prisões de policiais militares no período de 2005-2014

Por que isso é importante?

O roubo é o segundo crime mais cometido na cidade de São Paulo _só perde para o furto. Em 2014, foram registrados 160.103 assaltos na capital paulista, segundo a Secretaria Estadual da Segurança Pública. Isso representa uma média de uma ocorrência a cada 3 horas e 17 minutos.

O Código Penal Militar (Decreto-Lei nº 1.001/69) prevê, em seu art. 252, uma pena de 4 a 15 anos de prisão ao policial condenado sob a acusação de roubo. Quando é cometido por civil, esse crime tem uma pena máxima menor: de 10 anos.

Já o furto com explosão de caixa eletrônico é um crime que tem crescido nos últimos meses em São Paulo. Hoje, a Secretaria da Segurança Pública tenta, por meio de entendimento com o Banco Central, adotar medidas que façam com que o dinheiro retirado desses equipamentos não possa ser mais utilizado.

Para o jurista Luiz Flávio Gomes, a participação de PMs nesses crimes é grave (assista à entrevista concedida por ele no vídeo abaixo).

PM diz ser “implacável contra desvios de conduta” de seus integrantes

A Polícia Militar disse em nota que é “implacável contra desvios de conduta de seus integrantes” e que “se orgulha” de possuir um forte sistema de depuração interna.

A corporação afirmou que entende que “uma pessoa que comete crime usando temporariamente uma farda da Corporação deve receber punições exemplares”.

Segundo a PM, a quantidade de prisões de seus policias por roubo ou furto com explosão de caixa eletrônico representa “0,03% do efetivo da corporação”. De acordo com o órgão, esse percentual é muito inferior ao número de civis presos em relação à população paulista, que é de 0,58%.

A corporação disse, ainda, que conta com um forte processo de seleção, mas que “nem sempre é possível impedir que uma pequena amostra social se reproduza nas polícias”.

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