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Marinha não sabe onde estão 19 fuzis desviados de seus quartéis desde 2005

Por Léo Arcoverde e Maria Vitória Ramos 

Entre 2005 e 2017, a Marinha do Brasil registrou o extravio de 57 armas em 8 Estados do País. Foram 23 fuzis. Apenas 4 foram recuperados. Os desvios abrangem ainda 31 pistolas, 1 revólver, 1 metralhadora, 1 submetralhadora e 1.902 munições. Os dados foram obitdos pelo Fiquem Sabendo via Lei de Acesso à Informação.

A Marinha alega em nota que 21 dos 23 fuzis foram “perdidos em diferentes pontos do território nacional” durante “operações militares, por quedas no mar ou rio”. Chama atenção a quantidade expressiva de fuzis perdidos. 

O pedido de informação feito pela reportagem à Marinha faz parte de uma série de solicitações encaminhadas a outras forças de segurança do País. São elas: Polícia Federal (PF), Exército Brasileiro (EB), Força Aérea Brasileira (FAB) e Policia Militar de São Paulo (PMSP). Só Exército e PF não responderam.

Conforme revelou o Fiquem Sabendo no dia 2 de julho, a PF informou que qualquer dado sobre o seu acervo de armamento está classificado como informação reservada e ficará sob sigilo até o dia 21 de maio de 2019.

Traduzindo: em maio de 2014, um diretor da Polícia Federal, numa canetada, restringiu o acesso a esse tipo de dado pelo prazo de 5 anos. O motivo? A PF não informa. E até o 21 de maio do ano que vem, a PF pode, com base nessa decisão, não revelar qualquer informação aos cidadãos sobre o paradeiro de armas e munição eventualmente desviadas de suas unidades.

Quando confrontado com o posicionamento da Marinha, o sigilo da Polícia Federal revela a falta de critério do Estado brasileiro ao decidir o que deve ou não ser revelado à sociedade.

“Se os outros órgaos estão achando razoável dar o dado é porque de fato o risco é muito baixo pra justificar que você possa negar o acesso à informação”, afirmou o presidente da ONG Transparência Brasil, Manoel Galdino.

415 balas como as que mataram Marielle foram desviadas da Marinha

Quatro meses após o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Pedro Gomes, na noite do dia 14 de março, a investigação sigilosa segue sem respostas. O que se sabe é que as balas que mataram Marielle pertenciam ao mesmo lote usado, em 2015, na Chacina de Osasco, a maior da história do Estado de São Paulo.

As munições usadas em ambos os casos (calibre 9 mm) são de uso exclusivo das forças de segurança. Ou seja, não pode ser compradas por quem não é policial. Dados inéditos obtidos pelo Fiquem Sabendo apontam que 415 balas deste mesmo calibre sumiram do acervo da Marinha em 13 anos.

Os dados revelam ainda que o Rio de Janeiro é o Estado campeão em desvio de armamentos da Marinha. Do total de munições desviadas, 66,5% sumiram dos quartéis fluminenses. O Estado responde ainda por 42% dos desvios de armas da Marinha. 

Fonte: Marinha do Brasil via Lei de Acesso à Informação

Fonte: Marinha do Brasil via Lei de Acesso à Informação

Fonte: Marinha do Brasil via Lei de Acesso à Informação

Fonte: Marinha do Brasil via Lei de Acesso à Informação

Outro lado

Questionada sobre o assunto, a Marinha envio à reportagem:

“Em atenção à sua solicitação, a Marinha do Brasil informa que foram abertos processos administrativos para todas as 57 armas extraviadas, em 10 unidades da federação, no período de 2005 a 2017, e que 38 extravios de armas foram esclarecidos como perdas durante operações militares, por quedas no mar ou rio.

Das quantidades citadas, estão incluídos 23 fuzis extraviados e apurado que 21 foram perdidos em diferentes pontos do território nacional, com maior ocorrência em operações de patrulha naval em rios da Região Norte.

Os dois fuzis extraviados que restam foram furtados de organizações militares localizadas no Rio de Janeiro e abertos os respectivos Inquéritos Policiais Militares, conforme o disposto no art. 9°, do Código Policial Militar.”

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