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Região da USP lidera top 10 de áreas com mais roubos de bikes em SP

Região da USP lidera top de áreas com mais roubos de bikes em São Paulo

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, participa de inauguração de ciclovia na avenida Paulista, região central, no dia 28 de junho. Foto: Leon Rodrigues / SECOM PMSP

A região do campus da USP do Butantã, zona oeste de São Paulo, registrou 20 roubos e 25 furtos de bicicletas entre janeiro de 2014 e junho de 2015 (média de um caso a cada 12 dias). Isso fez dessa área, coberta pelo 93º DP (Jaguaré), a campeã de ataques de ladrões a ciclistas na capital paulista nesse período.

O segundo lugar do ranking ficou com o 14º DP (Pinheiros), também na zona oeste, com 35 bikes levadas por ladrões (28 furtos e sete roubos). Essa delegacia cobre locais como o Parque Villa-Lobos e a Vila Madalena.

Na terceira colocação aparece a Sé, no centro da cidade. A delegacia da área registrou 26 furtos e dois roubos de bicicletas em um ano e meio.

É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo com base em dados do Decap (Departamento de Polícia Judiciária da Capital), da Polícia Civil, obtidos por meio da Lei nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação).

O top 10 das áreas com mais furtos e roubos de bicicletas na cidade é também ocupado por bairros de classe média da cidade, como Itaim Bibi e Perdizes (veja o detalhamento desses dados no infográfico abaixo).

10 bairros onde há mais bikes roubadas em São Paulo

Bikes caras atraem ladrões para campus

Na avaliação do cicloativista e editor do site “Vá de Bike”, Willian Cruz, há uma razão para a Cidade Universitária liderar os roubos de bicicletas na capital paulista: o fato de a região (principalmente a área da raia olímpica) ser um local de treinamento de ciclistas que têm bicicletas esportivas, que são caras.

Em janeiro de 2014, por exemplo, o promotor de Justiça Roberto Bodini teve a sua bike, avaliada em R$ 20 mil, roubada nessa região. Ele a recuperou dias depois.

“A USP é frequentada por ciclistas que fazem treinamento esportivo com bicicletas de melhor qualidade. Essas pessoas vão de carro até lá, tiram a bike para treinar e depois a colocam no carro de volta na hora de ir embora. Por isso, há mais roubo do que furto nessa região”, explica Cruz.

Bairros se transformaram após ciclovias

Para o cicloativista, o ranking das dez áreas com mais roubos a ciclistas em São Paulo incluem dois bairros que passaram a ter um grande movimento de bikes após a implantação de ciclovias: Itaim Bibi (15º DP) e Vila Mariana (36º DP).

“O Itaim Bibi passou a ter um movimento grande ciclistas após a implantação da ciclovia da Faria Lima, em 2012. O mesmo ocorreu com a região do Paraíso e da Vila Mariana depois da abertura da ciclovia da rua Vergueiro”, diz.

Muito mais furtos do que roubos

De acordo com os dados disponibilizados pelo Departamento de Polícia Judiciária da Capital, os furtos de bikes são muito mais comuns do que os roubos.

Entre janeiro de 2014 e junho deste ano, a Polícia Civil contabilizou 550 casos de furto de bicicletas na cidade de São Paulo. Isso representa mais do que o tripo das 131 ocorrências de roubo de bike registradas ao longo desses 18 meses (veja no infográfico abaixo).

Furtos correspondem à maioria dos ataques de ladrões de bikes na cidade de São Paulo

Áreas mais violentas da cidade ficam de fora de ranking

Um dado surpreendente nos registros da Polícia Civil é o fato de áreas violentas da cidade terem pouquíssimos ou até mesmo nenhum caso contabilizado de furtou ou roubo de bicicleta entre janeiro de 2014 e junho deste ano.

O 49º DP (São Mateus), zona leste, campeã de roubos em geral da capital paulista há alguns meses, por exemplo, não registrou nenhum boletim de ocorrência dessa natureza no período. A delegacia do Capão Redondo, zona sul, por sua vez, registrou apenas um caso de furto de bicicleta. (Veja abaixo o mapa dos furtos e roubos a bicicletas em São Paulo. Clique na imagem para ampliá-la).USP lidera top 10 de áreas com mais roubos de bikes em SP

Por que isso é importante?

Constituição Federal de 1988 prevê, no seu art. 144, que a segurança pública corresponde a um “dever do Estado” e um “direito e responsabilidade de todos” e que ela é exercida “para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”.

Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940) prevê, no seu art. 155, uma pena de reclusão de dois a quatro anos e multa para quem comete o crime de furto. Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas (situação comum aos casos de invasão a residência) ou mediante escalada, a pena cominada é mais alta: reclusão de dois a oito anos e multa.

Já no seu art. 157, o Código Penal prevê para o roubo uma pena de reclusão de quatro a dez anos e multa. Ela é aumentada de um terço em situações como o concurso de dois ou mais suspeitos ou emprego de arma de fogo.

Casos servem de base para intensificação de policiamento, afirma secretaria

A Secretaria de Estado da Segurança Pública disse em nota enviada por sua assessoria de imprensa que os casos de roubos e furtos de bicicleta são investigados pela Polícia Civil e servem de base para a intensificação do policiamento nos locais onde esses crimes acontecem.

A secretaria informou que os crimes contra o patrimônio, na capital, tiveram queda de 14,5% nos cinco primeiros meses de 2015 em comparação com igual período de 2014. Os dados relativos a junho devem ser divulgados nesta segunda-feira (27).

A pasta disse que, neste ano, 14.307 pessoas foram presas em flagrante e 1.990 armas de fogos foram apreendidas na capital.

Cidade Universitária terá policiamento comunitário até outubro

A Secretaria da Segurança informou ainda que a Cidade Universitária “será contemplada com um projeto de policiamento comunitário até outubro” e que isso “deverá reduzir ainda mais os crimes contra o patrimônio na região”. “O campus da USP, que já é patrulhado pela PM, teve a significativa queda de 49,25% nos crimes contra o patrimônio de janeiro a julho deste ano, em comparação com o mesmo período de 2014.”

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